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A Mishná, também conhecida como Mixná ou Mixna[1] (em hebraico משנה, "repetição", do verbo שנה, ''shanah, "estudar e revisar") é uma das principais obras do judaísmo rabínico, e a primeira grande redação na forma escrita da tradição oral judaica, chamada a Torá Oral. Provém de um debate entre os anos 70 e 200 da Era Comum por um grupo de sábios rabínicos conhecidos como 'Tanaim' e redigida por volta do ano 200 pelo Rabino Judá HaNasi.

A razão da sua transcrição deveu-se, de acordo com o Talmude, à perseguição dos judeus às mãos dos romanos e à passagem do tempo trouxeram a possibilidade que os detalhes das tradições orais fossem esquecidos. As tradições orais que são objecto da Mishná datam do tempo do judaísmo farisaico.[2] A Mishná não reclama ser o desenvolvimento de novas leis, mas meramente a recolecção de tradições existentes.

A Mishná é considerada a primeira obra importante do judaísmo rabínico e é uma fonte central do pensamento judaico posterior. A lista dos dias de festa conhecida como Meguilat Taanit é mais antiga, mas de acordo com o Talmude já não está em vigor. Comentários rabínicos à Mishná nos três séculos seguintes à sua redação (guardados sobretudo em aramaico) foram redigidos como a Guemará.

Índice

editar Etimologia

O plural de tana que se refere aos sábios rabínicos judeus cujas opiniões são gravadas na Mishná. Na história judaica, o período dos 'Tanaim' é também referido como período mishnaico. Seguiu-se ao período dos Zugot ("pares") e foi precedido pelo período dos Amoraim. A raiz tana (תנא) é o equivalente aramaico para a raíz hebraica shaná (שנה) que é também a palavra raiz de "Mishná". O verbo shaná (שנה) significa literalmente "repetir [aquilo que se ensinou]" e é usado para indicar "aprender".

editar Estrutura

A Mishná está ordenada em seis ordens (em hebraico sedarim, plural de seder, סדר), cada uma contendo 7 a 12 tratados (masechtot, plural de masechet, מסכת, "rede"). Existem 63 tratados no total. Cada masechet é dividida em capítulos (perakim, plural de perek) e depois em parágrafos e versículos (mishnaiot, plural de mishná). A Mishná é também chamada de Shás, uma abreviatura de Shishá Sedarim – as "seis ordens"). O termo Shas é usado também para se referir a um Talmude completo, o qual segue a estrutura da Mishná.

A Mishná ordena o seu conteúdo por assuntos temáticos, em vez de contexto bíblico e discute temas individuais mais profundamente que o Midrash. Inclui uma seleção mais alargada de assuntos haláquicos (da Lei Judaica) do que o Midrash.

editar Lista de Ordens

As seis ordens são:

Em cada ordem (com a excepção de Zeraim), os tratados estão organizados do maior (em número de capítulos) para o menor.

A palavra 'Mishná' pode também indicar um único parágrafo ou verso do próprio trabalho, ou seja, a mais pequena unidade da estrutura da Mishná.

O Talmude Babilónico (no tratado Hagigá 14a) declara que havia seiscentas ou setecentas ordens da Mishná. Hillel, o Velho organizou-as em seis ordens para torná-la mais fácil de memorizar. Porém, é disputado o rigor histórico desta tradição. Existe também a tradição de que Ezra, o escriba, ditou de memória não apenas os 24 livros do Tanakh mas também 60 livros esotéricos. Não é absolutamente certo que isto seja uma referência à Mishná, mas existirá razão para o dizer, já que a Mishná é composta realmente por 60 livros. (O total actual é de 63, mas Makkot era originalmente parte de Sanhedrin, e Baba Kamma, Baba Metzia e Baba Batra podem ser vistos como subdivisões de um único tratado, Nezikin.)

Curiosamente, o rabino Reuvein Margolies defendeu que existiam originalmente sete ordens da Mishná. [3] Ele cita uma tradição dos Gueonim (os maiores sábios judeus da Babilónia) sobre a existência de uma sétima ordem. A ordem em falta continha as leis de Sta'm (prática dos escribas) e Berachot ("bênçãos").

editar Primeira Ordem: Zeraim

Primeira Ordem: Zeraim (זרעים, "Sementes"), sobre rezas, bênçãos, dízimos e leis agrícolas:

editar Segunda Ordem: Moed

Moed (מועד, "Festas"): sobre as leis do Shabat (ou Sabá) e das Festas Judaicas.

editar Terceira Ordem: Nashim

Nashim (נשים, "Mulheres"): Leis das mulheres e da vida familiar.

editar Quarta Ordem: Nezikin

Nezikin (נזיקין, "Danos"). Lida sobretudo com a lei criminal e civil judaica e o funcionamento do Bet Din, o tribunal judaico.

editar Quinta Ordem: Kodashim

Kodashim (קדשים, "Coisas Sagradas"). A maior das Ordens da Mishná lida em particuçar com o serviço religioso no Templo de Jerusalém, os Korbanot (ofertas de sacrifícios) e outros assuntos considerados ou relacionados a essas "Coisas Sagradas".

editar Sexta Ordem: Tahorot

Tahorot (טהורת, "Purezas"). Esta ordem lida com a distinção puro/impuro e sobre a pureza familiar. É a mais longa das ordens da Mishná, com 12 tratados.

Referências

  1. Os dicionários registram diferentes grafias do nome; enquanto o Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, grafa Mishná (no verbete Talmude), o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa registra Mixná, o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, opta por Mixna, e o Dicionário Caldas Aulete registra Misná. Já na Internet, na imprensa e nos demais meios de comunicação podem se encontrar outras formas, como Míxena e Mishnah.
  2. [1]
  3. Margolies, Reuvain. Yesod Ha-Mishnah V'Arichatah

editar Ver também

editar Ligações externas


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